sábado, julho 23, 2005

Caricas coleccionáveis

Nos dias que correm, é cada vez mais notória a presença dos papéis. Vamos a qualquer lado e precisamos dos ditos "papéis" pois sem eles não conseguimos concluir o objectivo razão pela qual nos encontramos algures. É também de fazer referência que as leis e regras pelas quais nos regemos devem ser conhecidas senão estaríamos para aqui a jogar Monopólio sem dados. Um desses documentos é a Constituição da República. Mas se repararem, esta não deixa de ter as suas falhas. Pois é. Reparemos no nome: Constituição da República. Pelo que sei, "constituição" refere o evento de constituir algo e não um aglomerado de papéis escritos.
Por aqui vamos dar a um aspecto mais judicial. Muitas vezes nos telejornais ouvimos dizer que alguém foi "constituído arguido". Como é que é possível constituir alguém? Que eu saiba, nós constituimo-nos (formamo-nos) no ventre materno e somos constituídos por duas pernas, dois braços, uma cabeça e um tronco. Agora digam-me como é que é possível constituir-se alguém arguido. Mesmo que seja possível, segundo sei, arguido não se refere a nada pálpavel como um corpo ou assim, mas sim a um estado em que deixamos de ser inocentes e passamos a ser acusados. Isso leva-me a concluir que depois de sermos constituídos arguidos, passamos a sofrer de dupla personalidade: as de inocente e a de suspeito acusado. Assim sendo, isto teria graves consequências no nosso dia a dia. Imaginem nós sentadinhos no nosso sofá a ver um joguinho de football ou a novela das 7:45 e de repente mudamos de personalidade e passamos a ser o suspeito acusado. Íamos logo ao quarto buscar um agasalho, uma mala com provisões e sairíamos porta fora, numa tentativa desesperada de fugir do país. Imaginem a cara dos nossos filhos quando soubessem que os fornecedores de cromos das equipas de football, de pokémon ou de Dragonball, tinham desaparecido. As empresas de cromos faliam e as caricas voltavam a estar na moda.
É esta questão inquietante que quero fazer passar a vocês todos e em especial aos responsáveis pela língua portuguesa. Pensem nisso.

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