sábado, dezembro 17, 2005

O Propósito do Jasmim

Qual é o propósito?
Qual é o propósito de procurar a felicidade e plenitude se um dia todos vamos morrer?
Qual é o proposito de receber uma prenda?
Qual é o propósito de amarmos e sermos amados, numa tentativa de criação de felicidade temporária, se um dia alguém morre e sofremos ou fazemos sofrer trazendo ao de cima todo o vazio que pode existir numa alma?
Qual é o propósito de vagabundear pelas ruas numa procura doentia de algo que agrade a alguém para lhe fazermos uma surpresa se passado uns tempos já existe outra alguma coisa que nos vai levar de volta às ruas?
Qual é o propósito de viver se se morre?
Qual é o propósito de acordar se se volta ao sono passado x horas?
Qual é o propósito da vida?
Qual é o propósito da existência do ser?
Qual é o propósito da imensidão se estamos constantemente confinados?
Qual é o propósito da enormissidade do espaço e tempo se o nosso espaço e tempo está contado?
Qual é o propósito do pensamento se esse mesmo pensamento nos leva à conclusão de que a felicidade é uma estância temporária que volta sempre à tristeza e sofrimento?
Qual é o propósito de nos recompensarmos por algo se toda a vida é baseada em castigos?
E se o bom fosse morrer? E se passassemos a vida a sonhar com a morte?
E se fossemos masoquistas em vez de procurarmos a confortabilidade fácil e simples das coisas?

Poema escrito por jovem narcótico, doente, em fase terminal de vida, com uma verruga no cotovelo direito, seníl e renegado que trabalhava para um jornal de prospetos de Carnaval, em revolta pelo falecimento do seu cão Jasmim.
A conclusão que se pode tirar é que o seu problema era ter escolhido mal o nome para o seu cão.

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