Abrangendo a questão do "Nada" a acções ocorreu-me a seguinte dúvida: nada fazer ou fazer nada? Para alguns podem parecer dois actos iguais, mas num olhar mais atento, são tão destintas estas duas acções, como um simples clip o é de um fogão de cozinha, e ao mesmo tempo, tão iguais como um objecto e o seu reflexo num espelho.
Nada fazer transmite-nos a ideia que realmente nada se faz, ou seja não se faz nada: nem um mexer de mão, nem um pensamento, absolutamente nada.
Por sua vez, fazer nada já nos dá a sensação de um feito, de que alguma coisa está a ser feita, nem que seja um nada que é algo. Mas se o nada é algo, nada fazer passa para algo fazer tornando-se a mesma coisa que fazer nada. Assim temos nada fazer, fazer nada, algo fazer e fazer algo, que consiste tudo no mesmo: fazer alguma coisa, nem que seja nada. Desta feita a palavra nada perde o seu valor, pois fazendo nada faz-se algo, então mais vale dizer "Estou a fazer algo" em vez de "Não estou a fazer nada". Mas se pensarmos bem, algo que é feito com nada, é um nada que obrigatoriamente é algo, pois só pelo facto de existir, tem de ser algo, nem que seja nada.
E com tanto nada, acabo de ter um "dejá vu". E perguntam vocês "O que foi?" e respondo eu "Foi algo", e perguntam vocês novamente "Algo o quê?" e respondo eu outra vez "Nada".
Reparem que este "Nada" refere-se a algo que é nada, que por sua vez tem de ser algo. Por isso torna-se absurso falar de nada pois falamos de algo que neste caso é esse nada. Mesmo que queiramos é ímpossivel falar de nada.
Por isso vou passar a substituir o nada por algo. A partir de agora o "nada" já não existe no meu dicionário.
Bem agora que acabei o discurso sobre algo vou ver se algo cinco piscininhas para desanuviar. Querem vir?
P
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